PAULO AFONSO- O primeiro sinal de que Galinho (PSD), já está com as cartas na mesa, e sem trunfos, foi a gélida reação da população a uma das maiores reivindicações em todos os tempos: baixa significava à taxa de esgoto da Embasa.
“Ao menos fez isso…”, comenta um cidadão que, fique claro, apoia o prefeito. A face do rapaz ao dizê-lo, lembra alguém que perdeu a última oportunidade de ser feliz. Era de uma melancolia atroz.
Antes de seguir, convém alertar que, baixar a taxa de esgoto à metade do percentual cobrado hoje (80%), levará tempo e bons advogados. Ao que se percebe, o governo tem a ausência justamente dos dois.
O comércio da cidade, maior empregador do município, que vinha cambaleando nas gestões anteriores, finalmente está na lona. Nenhuma ação do governo que torrou uma soma impensável de recursos públicos em festas, gerou efeito de, ao menos, animar o setor.
“O mês de fevereiro foi o pior da minha vida de comerciante, muitas vezes me veio a vontade de fechar, estou resistindo sem saber porquê”, desabafa uma comerciante, sob reserva, que, analisando os fotores, entende que o maior problema está no governo municipal: “Nos outros governos, o dia do pagamento tinha impacto nas vendas. Hoje não tem mais”, resume.
Fisicamente a cidade tem aspecto de lodo. Antes de chegar ao mandato, era tudo o que o então candidato queria, pois, bastava um vídeo e a culpa pelas baronesas, entulhos, lixo, estradas vicinais destruídas, falta de pagamento dos pequenos contratos (a exemplo do wi-fi da praça na área rural), de médicos etc. etc., tinha endereço certo. No dia a dia da gestão, às respostas aos mesmos desafios são lentas e, na maioria das vezes, ineficientes.
Aliados insatisfeitos
Eis que, com o tempo passando muito rápido, o prefeito ainda precisa lidar com as grandes e pequenas insatisfações de quem o cerca. “Tem vereador que não suportar um único aperto que vai abandonar o barco, porque nada do combinado foi cumprido até agora”, diz a esta jornalista, um assessor parlamentar, de cujo semblante lembra a primeira fonte citada nesta reportagem.
São ineficiências expostas que devem ser assumidas pelo gestor de turno e mais: resolvidas sem poder, a bem da verdade, culpar a mais ninguém.
A saúde caótica
Isso posto, a saúde pública gerida pelo governo de Galinho é uma realidade das mais lamentáveis já sentidas pela população.
Semana passada eu precisei fazer um vídeo, com pena, a palavra é essa: dó, dos motoristas do TFD – Tratamento Fora de Domicílio- que estão sem receber suas respectivas diárias desde dezembro. “Tem paciente que paga um lanche para não ver eles com fome”, me diz a denunciante. No mesmo dia procurei a secretária da pasta, Isabelle, uma semana depois, nenhum piu sobre o assunto.
O adversário que ganha corpo e já tem alma
Nas ruas, nos becos, na esquina, na feira, no plantão médico, na praça e na boca deste e daquela, da fulana, do cicrano e do beltrano, alguém sussurra “Lu-linha!”