PAULO AFONSO – “Se Macário fosse mais jovem, o problema Galinho (PSD) estaria resolvido”, diz a esta jornalista, um ex-apoiador do Galo, crispado de amargura.
Ali pelo quarto mês de gestão, com a presença permanente do vice-prefeito entre os vereadores, tal possibilidade chegou a ser ventilada. O golpe seria o remédio para se livrar o quanto antes do prefeito. O assunto morreu em seguida.
Mas tornou-se evidente um fato: todas as forças que se coadunaram em torno de Galinho e lhes garantiu uma eleição soberba sobre Marcondes Francisco, encontram-se fracionadas e com objetivos distintos. Em comum apenas o rancor, o ódio e o desejo de ver Galinho penar, com o máximo perdão do trocadilho.
Fiquemos com os vereadores, mas deixando claro que não se trata apenas desse grupo seleto. É consensual entre eles que, passada a fase de necessidade do prefeito, todos serão descartados em detrimento dos secretários do peito.
Uns (ainda que tenham tetas) querem partir para derrubar o governo, entretanto, esbarram naqueles cujas tetas são mais fartas, criou-se um impasse na Câmara. “Esses vereadores que ainda cercam o prefeito não enxergam que, passadas as votações de que ele precisa, seremos descartados um por um, porque o prefeito já tem os dele. Nós temos que agir enquanto temos o poder na mão”, diz convictamente uma dessas forças sem a qual Galinho tropeçaria.
O prefeito está ciente do conflito. Tenta turbinar um vereador que lhe faça as honras de ser seu líder, mas esbarra em desculpas esfarrapadas: ou não tem saúde ou falta tempo. Um líder não precisa ter a saúde de Mike Tyson nem o tempo de um adolescente, precisa querer apenas. O que todos eles sabem é que, uma vez que aceitem a empreitada, serão massacrados pelos colegas e, que se diga com mais certeza, pelo povo.
A cada ação estrambólica do governo, esvaem-se as perspectivas entre a população de que ele tome um rumo digno. Galinho ergueu-se com retórica heróica de “reconstrução”, saído das ruas periféricas numa trajetória digna de cinema, e, uma vez no poder, fechou os serviços públicos e demitiu dezenas de profissionais de saúde, punindo o seu eleitor mais frágil.
Passada a turbulência inicial, sobram os milhares postos na rua, cujas indenizações ainda não foram pagas; comércio à beira da catástrofe; milhões empenhados em festas e a saúde precaríssima. Um saldo terrível e, a bem da verdade, inimaginável.
Com suas forças divididas e, logicamente, sem mais o encanto do gestor do futuro, desconhecido, mas forjado nas redes sociais como o Salvador, falta apenas aparecer um rival que agregue o que Galinho já perdeu para definir o quanto durará seu tempo de poder.
resta a Galinho copiar um pouco do politic O político que se mostrou excelente em ato de campanha e um desastre administrativo.