PAULO AFONSO- Muita gente não gosta da vereadora Evinha (Solidariedade), principalmente neste segundo momento no qual ela é governo. Quem já tinha maus bofes antes, hoje se vê com motivos a mais para lhe torcer o nariz. Desde que respeite a moça, não gostar faz parte da democracia.
Um fato, entretanto, gostem ou não, é que foi ela a personalidade pública, quando emergiu de uma votação improvável (2020) que mudou a feição do cenário político no que diz respeito à participação da mulher.
A Câmara então tinha passagens marcantes de outras vereadoras, mas coube a Evinha nesta fase de transição, pavimentar a estrada com ações que supervalorizaram a mulher no Legislativo.
O resultado inconteste foi a eleição de mais mulheres. Isso é fato histórico e não de gosto. Agora, a ser confirmada líder da bancada da maioria, isto é: do governo, Evinha escalará outra margem de poder inédita, num período no qual o próprio governo refaz a rota.
E, cumpre observar: substituir Jean (PSD) pálido neste ofício- com as razões dele- só mesmo ela.
Antes, a vereadora já esteve em comando de bancada, mas de oposição. Liderou sem ranhuras e, pode-se afirmar, consensualidade nas divergências. Se projetou e, não à toa, conseguiu a reeleição gastando o mesmo que se gasta numa padaria. A comparar com outras vitórias.
Evinha, no entanto, deixou um abismo. É singular a decepção que parte da população sente, ao vê-la desidratada ante os descasos do governo. Faltou energia, faltou a voz, faltou a outra Eva.
Se construir uma liderança abraçada ao acerto do governo, mas sem fechar os olhos para os erros, há chances de recuperar o afeto.
Para quem desbravou tanta coisa, é o mínimo.