PAULO AFONSO– Com seu temperamento comedido e professoral, Celso Brito (PRD) chegou à Câmara Municipal para evitar que o Poder Legislativo experimentasse o abismo para de lá, nunca mais voltar à superfície.
Celso obteve votação tímida no pleito municipal, precisos 615 votos, o suficiente para dar a condição de 1º suplente. Voltou ao Parlamento na esteira de uma tragédia sem par no município. O companheiro de partido, vereador de 4 mandatos, Bero do Jardim Aeroporto, matou-se depois de cometer um homicídio.
Com as famílias dos envolvidos extremamente abaladas, Celso chegou taciturno e optou por bastante cordialidade a fim de evitar mais estardalhaço (eu mesma estranhei), no entanto, toda expectativa gerada àquela altura, seria em breve correspondida.

Bastaram três semanas e, com muita responsabilidade, seriedade e criticidade, ao lado da dor de quem morre à espera de um atendimento à beira das unidades hospitalares, do povo sem porvir e largado à própria sorte, iluminando o problema da falta de gestão na saúde sem espaços para troça, eis o resultado: aprova por unanimidade um documento enviado ao Ministério da Saúde no qual é solicitada uma sindicância na pasta da Saúde pelo órgão federal, a fim de aclarar e dá satisfação à comunidade sobre a calamidade.
Se fosse um gol, seria aquele primeiro gol de Pelé, meio de canela contra o País de Gale em 1958. Se conseguir a instauração com punição para a incompetência que tanto faz mal à sociedade, será o segundo gol, o chapéu contra a dona da casa, a Suécia.
Celso concedeu-me a seguinte entrevista à saída da Câmara:
Nelson Rodrigues disse que toda unanimidade é burra, mas o senhor conseguiu algo impensável dias atrás, a que se deveu isso?
A votação por unanimidade na solicitação de uma auditoria do Ministério da Saúde deve-se ao fato de que todo representante da comunidade cansa quando ele é cobrado insistentemente, no dia a dia, sobre um determinado assunto. E o que está em pauta é a saúde, os vereadores deram a resposta em silêncio votando a favor. Isso é um sinal de alerta. Como eu pontuei no meu discurso, o gestor precisa ter muita habilidade para tratar com o Poder Legislativo, do contrário, ele entra em rota de colisão não com a oposição, mas com os seus aliados.”
O governo não poderia ser pior.
O vereador deve muita satisfação ao povo, se o Poder Executivo pensa diferente eu acho que ele saiu da lógica de responsabilidade de um gestor. Eu creio que é hora de sentar e conversar, de fazer um alinhamento, ter um norte sobre tudo o que se tem que fazer.”
Há possibilidade de frear a sindicância?
O documento (pedindo a sindicância na pasta da Saúde) que foi enviado para o Ministério da Saúde, não tem influência nem de prefeito nem de vereador para recuos, o MS agora vai tomar as providências. O que pode ocorrer agora é que o legislador pode ganhar outra consciência e deixar essa história de que ele só sobrevive atrelado ao prefeito com favorezinhos, isso tem que acabar. O parlamentar pode viver trabalhando e executando ações que beneficie a população de Paulo Afonso.”
O senhor está surpreso com essa adesão?
Para a minha agradável surpresa, que estou há apenas três sessões, vi que o comportamento do vereador é de respeito um a ao outro, estamos aqui discutindo e debatendo com respeito a todas posições.
Fotos para a reportagem: Folha Sertaneja e assessoria de Celso Brito.