PAULO AFONSO- Evinha (Solidariedade) só conseguiu a reeleição pelo chamado voto de opinião. Eu sei bem que ela não teve um investidor e fez uma campanha simples. Fato. Conseguiu uma verdadeira proeza, se for considerada a compra escancarada de votos.
A opinião pública foi cativada pelo desempenho de uma vereadora, que, muito embora, tímida de rua – a coisa mais rara desse mundo é vê-la fiscalizando as unidades básicas de saúde, para ficar num exemplo-, soube como poucos vender a imagem de política comprometida com coisa pública.
Ganhou a eleição na base de apoio de Mário Galinho (PSD), e desde então, Evinha passa por um apagão. Só se ouve a sua voz para dizer “amém” ao prefeito e anunciar coisas que fazem lembrar os bons tempos de Val Oliveira. Como a nova frota da Atlântico.
Como o governo é péssimo, arrasta um quarteirão. Hoje, vendo que está anêmica, a vereadora pegou para Cristo uma página da internet que, rotineiramente, lhe faz cobranças sobre os maus feitos do prefeito que vêm passando em branquíssimas nuvens.
Entendo que, “pegue as mudas e sabe o que fazer”, não é gentil. Mas tampouco é cultura do estupro, como diz ela. O vídeo em resposta é apelativo. Mas qualquer um compreende o fascínio e o apelo que a dita causa feminina traz.
Mas onde esteve o ‘feminismo’ de Evinha quando a companheira de partido, Jaciede, foi humilhada na Câmara por um parlamentar. Numa atitude machista, antidemocrática e incivilizada? Por que Evinha não foi a voz dessa mulher, que, sem os seus mais de 400 votos sequer ela teria sido eleita? Até hoje ninguém sabe a resposta.
De toda sorte, agora que se revela uma supermulher contra a cultura do machismo, havemos de esperar que ela vá em frente contra tudo o que se configure antimulher. A começar pela fome. Muitas das demitidas por Galinho que estão sem receber as rescisões eram arrimos de família. E aí?
As mulheres de Paulo Afonso podem ficar tranquilas. Detalhe: se o problema não for o governo.