PAULO AFONSO- Quando a Justiça Eleitoral autorizou a marcha nas ruas, deu-se a prova dos nove de quem, na política, assim como na vida, tem honra, palavra e caráter. Bem como, o contrário disso. Portanto, a ocasião da eleição não faz o mal político, ao contrário, evidencia o bom.
A realidade que castiga o postulante à Casa Legislativa, seja ele iniciante ou não, é de frustração, decepção, tristeza, falta de perspectivas e de dinheiro. Frise-se em especial esse último item.
“Minha mãe me pergunta todos os dias, o que diabos eu tinha em mente quando aceitei participar disso. Me prometeram 5 mil reais para ajuda de custos, e, até agora, eu não vi a cor do dinheiro. Tudo o que eu faço tiro do meu bolso. Ao tempo em que vejo colegas de partidos esbanjarem, gastarem dinheiro como se fosse papel, é injusto e revoltante”, narrou sua rotina de frustrações uma candidata, na condição de anonimato.
A moça tenta uma vaga pela primeira vez e havia tido inúmeros convites de partidos. “Fomos enganados”, resume.
Diga-se de passagem que, o fundo eleitoral de 6 bilhões de reais, fez crer, em muitos candidatos que, neste pleito, resquícios dessa dinheirama chegariam aos cofres dos Diretórios Municipais. Zero.
Não bastasse a falta de apoio, sobram queixas para as coordenações de campanha. “Eles escolhem quem querem ver eleitos. Daí é vídeo para cá e para lá. Só dá “os favoritos deles”’, diz outra fonte consultada em caráter reservado.
A maioria mantém a campanha porque fica feio desistir faltando apenas 20 dias para o fim.
A eleição deste ano escancarou quem está na política com o mínimo de caráter, pois não enganou ninguém, e quem, infelizmente, seguirá nesse meio engrossando a fileira dos maus homens públicos, dado o abuso da boa-fé de tantas pessoas que se doam dia e noite e, sublinhe-se, sem elas, nenhuma vitória será possível.
Foto: campanha do Tribunal Superior Eleitoral.