SALVADOR – À primeira vista ninguém diz. Em meio à torcida do Bahia, paira o pensamento de Schopenhauer, vivido na prática “aproveitar bem o dia”.
Eis que o prefeito Galinho (PSD) e seu vice, Pedro Macário (PSDB), assistem ao jogo do tricolor devidamente uniformizados, enquanto, no município deles, dezenas de famílias se desesperam porque ficou apenas o corredor do Hospital Regional – de cujos médicos estão ameaçando a todo momento não pisar mais lá – para implorar por socorro.
Uma tal reforma, a exemplo da construção da Arca de Noé, acontece nas dependências do Nair Alves de Souza que, de uma vez por todas, levou a todos para o corredor: quem cai da moto, quem sofre a desventura de uma dor qualquer, um AVC etc. etc. Todos enfrentam o mesmo ranger de dentes no corredor, pequeno. A porta para a dor, curiosamente é larga. O atendimento é estreito.
Mas voltemos ao filósofo. Chamemos carinhosamente de “Schop”, para ele, todos viemos ao mundo cheios de pretensões de felicidade e prazer. Especialmente se ganhamos uma eleição municipal, é ou não é?
E olha que Schop não conheceu o prazer que dá a um camarada no pleno gozo do exercício, uma diária. Muitas diárias são equivalentes a um orgasmo múltiplo, para ficar no relaxamento do bolso do contribuinte.
Diz ainda o amigo filósofo: “até ao momento em que o destino nos aferra bruscamente e nos mostra que nada é nosso.”
A prévia desse momento será a eleição federal, quando o ranger de dentes será do lado de fora da porta.
“Olá meu povo, esse é o meu candidato!”
O povo: “Não diga!”
O restante da história contarei na abertura das urnas.