PAULO AFONSO- Um homem também chora. Ontem vimos um homem humilhado pelo governo municipal, pela segunda vez, chorando em frente a câmera do celular. Viralizando sua angústia para além das cercanias do Balneário.
Conhecido “Galego do Coco” teve seu carrinho de coco, que lhe custou três dias de fome, destruídos pelos agentes da legalidade. Ou como são conhecidos na cidade “gente má”, a pretexto como sempre de organizar o espaço público.
Galinho (PSD), age como se tivesse chegado a Paulo Afonso depois que ganhou a eleição e, portanto, não faz ideia que governa uma cidade calcificada pelo desemprego.
Iniciou uma caçada contra trabalhadores da economia frágil – no geral que trabalham nas ruas vendendo frutas e água de coco- e passou a gerar mais insegurança e fome no seio dessas famílias. São pessoas que não têm outra forma de renda e, pelas mãos de Galinho, conheceram a humilhação.
Mal comparado, Juazeiro, onde resido, tem um vendedor em cada esquina. Graças a Deus! É dispensável dizer que esta cidade tem uma das maiores economias da Bahia. Ainda assim, o governo municipal, governo após governo, tem noções de humanidade.
Houve reação forte nas redes sociais para ajudar o Galego do Coco, porém, ele recusou. “Não preciso de Pix, eu quero trabalhar”, disse em conversa com o empresário Neto Coelho.
Neto entra no problema e resolve
No fim de noite vem o vídeo que -ao contrário do Natal fake celebrado pela prefeitura, cuja iluminação serve apenas para a vaidade do prefeito, à medida em que suas ações não correspondem em absolutamente nada a festa cristã- emocionou mais uma vez a cidade.
Neto estende amparo ao Galego: “Vou conversar com amigos para fazer sua barraca e, como você disse que queria um emprego com carteira assinada, minha empresa está de portas abertas caso você queira trabalhar de carteira assinada na sua profissão de pintor, de montador de estrutura”.
Galego não disfarçava a emoção, chorou de novo. Mas de alegria! Reconheço, muitos choraram felizes com ele.
O ano não poderia acabar sem essa mensagem que, repito: é mais que a dignidade de um homem sendo levantada, sobretudo traz junto a esperança, não só para Galego, como para os milhares que foram postos na rua e não receberam suas respectivas rescisões.
O gesto empareou Neto e Galinho. Mas apenas um não está na treva.