PAULO AFONSO– O Repensar realizou o lançamento do projeto “Escambo” nesta terça-feira (21/set), na Câmara Municipal, como forma de aperfeiçoar, fortalecer e impulsionar o negócio (artesanato) coletivo nas aldeias do território de Itaparica.

A iniciativa promove o intercâmbio de saberes e o fortalecimento das redes produtivas entre comunidades tradicionais, valorizando as particularidades de cada povo – são indígenas de várias etnias espalhados pelo território – com soluções sustentáveis e necessárias como, por exemplo, a formação em redes sociais para mais visibilidades dos produtos.
“Quando você traz trabalho digno e renda através do artesanato, você contribui significativamente para reduzir a situação de pobreza nas aldeias, não apenas para a mulher, mas toda a família”, diz Bruno Heim, colaborador do Instituto, e completa: “O projeto Escambo contribui também para que possamos resgatar os saberes e fazeres dos povos tradicionais, tudo isso caminhando como farol da sustentabilidade.”

Mulheres de gerações diferentes levaram produtos e suas experiências, além do que trazem em comum de dificuldade. Elas oferecem arte milenar, adornos como colares, cocares, brincos e pulseiras; cestarias – peneiras entre outros objetos e cerâmicas.
“A gente produz aqui próximo do centro e quando há feiras nas quais podemos expor, muitas vezes não conseguimos chegar até elas por falta de transporte”, diz uma artesã.
O encontro contou com a presença de representantes de diversas etnias do território, como Pankararé, Xucuru Kariri, Cariri Xocó, Atikum, Tuxá, entre outros povos que mantêm viva a memória, a cultura e a resistência no São Francisco.
“Podemos resumir assim: o Escambo entre outras iniciativas desenvolvidas na Cozinha Repensar com ações integradas de assistência social, agricultura familiar e economia solidária é o meio encontrado para responder a essa carência histórica no território de Itaparica”, comentou a professora Daiane Braz, coordenadora do Instituto Repensar.