PAULO AFONSO- Mais uma sessão ordinária da Câmara Municipal acontece numa segunda-feira agitada. Em meio ao ruido dos presentes na plateia, da habilidade da funcionária da copa com a bandeja carregada de copos d´água, café ou chá; do assessor jurídico intrometido e sempre se achando mais esperto que o patrão dele; do pedinte; da barraqueira e do curioso ocioso que sempre vai ao Parlamento matar o tempo, exasperadamente o presidente anuncia: “Está aberta a inscrição para o Grande Expediente”.
Dar-se início então à primeira briguinha de ego. Tem vereador que espera taciturnamente o momento de assinar a lista, após, se possível, seu desafeto já ter se inscrito. A estratégia é pegar carona nos discursos e/ou ter mais tempo para rebater falas.
Nota à margem: não é um costume de todos. Há vereador que quer simplesmente falar, e até, após a chegada de Celso Brito (PRD), se tornou útil o Pequeno Expediente no qual não há apartes.
Voltemos ao ponto: súbito, a 2ª secretária anuncia o primeiro orador. O assessor corre para o corredor munido de um celular, às vezes são dois assessores. Começa o show, eu quero dizer: começa o discurso voltado para as redes sociais.
O vereador encara o celular, como um bom influenciador, e começa sua verborragia. Alguns citam Platão, o que importa é dizer algo para preencher as redes, ainda que, nada do que saia dali tenha efetividade na vida cotidiana da população.
A Câmara teve uma votação que ficou famosa, no final do ano passado, quando, em 12 segundos, aprovou aumento no subsídio dos vereadores em torno de 40%, passando de 12 para 17 mil reais o salário do parlamentar. Neste episódio houve efetividade em causa própria como nunca se viu na história do município.
Os vereadores sabiam exatamente o que pretendiam com os 5 mil reais a mais de salário. E, nessa pegada, em total descompasso com a aflição que toma conta da população, passam os dias, esperando o próximo pleito e uma boa oportunidade de angariar algum real a mais.
2ª nota à margem: existem sempre as exceções que confirmam a regra. Mas a crítica não é pessoal, isto é: a um parlamentar especificamente, mas ao conjunto. E, nesse caso, cabe escrutinar melhor.
Fiquemos com o exemplo do corredor do Hospital Regional e tudo o que já se afirmou sobre ele. “Tem gente fazendo as necessidades fisiológicas no corredor”; “Está tão lotado que os pacientes chegam em ambulâncias e ficam nelas porque não tem como serem atendidos no Hospital (quando não voltam para casa)”; “Gente com braço quebrado volta sem atendimento”; “teve tensão entre paciente e médico e a PM teve que ser chamada”; “É dramática a situação do Regional” etc. etc.
Eis o ponto: qual a resposta efetiva que esses vereadores, no uso diário do tribuno municipal, como representantes dos mais de 50 mil eleitores, deram a tudo isso?
Zero. Não fizeram EFETIVAMENTE nada.
Uma fala anêmica aqui, uma cobrança debochada ali, um showzinho para as redes sociais acolá, e, como Poder Legislativo não teve qualquer ação que procurasse uma saída junto aos demais entes federados.
Muito menos cobrar como Casa que o governo municipal mudasse a rumo adotado, reabrisse o centro cirúrgico do Hospital Nair Alves de Souza e voltasse suas ações à Saúde.
Passaram dois longos meses elogiando um secretário porque gastou milhões em uma festa que durou quatro dias. Entretidos como crianças no parque de diversões. Mesmo a oposição que fazia críticas pontuais ao gasto excessivo, foi igualmente à festa, à semelhança de um adolescente birrento. Oposição de fanfarra!
Demagogos, frios, calculistas e preocupados com seus próprios umbigos. Essa é a imagem que tem a população da Casa Legislativa.
Não moveram, e aqui, repito: como Legislativo, uma única palha para tentar aliviar a dor de quem ainda está no corredor do Regional.
O governo se mexe agora porque observa o derretimento do apoio popular e a futura consequência que incidirá na votação de deputados com selo da prefeitura, após decisões inconsequentes.
Ou por outra: o governo se tocou e procura se corrigir para sanar as asneiras que fez com sua equipe incompetente. Nenhuma ação que o governo tem hoje teve como motor o trabalho do Legislativo.
Porém, enquanto isso, a lacração e os vídeos para as redes seguem a todo vapor.