O vereador Celso Brito de Miranda (PRD) apresentou um requerimento que, à primeira vista, soa como um grande gesto em favor da cidade: a criação de uma comissão de mobilidade urbana, com ênfase na construção de uma segunda ponte de acesso à ilha de Paulo Afonso. A ideia, sem dúvida, é louvável. A população precisa de alternativas para reduzir congestionamentos e garantir maior fluidez no tráfego.
Mas há um problema e ele não é pequeno. A proposta parece ignorar o atual contexto econômico do país. As obras do PAC 2, onde se encaixariam empreendimentos dessa envergadura, estão paralisadas ou andando a passos lentos justamente por falta de recursos. O Ministério da Fazenda, em nome do cumprimento do arcabouço fiscal, anunciou o bloqueio de R$ 31,3 bilhões do orçamento de 2025. É dinheiro que deixa de chegar aos estados e municípios, comprometendo projetos de infraestrutura em todo o Brasil.
Assim, por mais que a ponte proposta pelo vereador seja necessária, esbarra na dura realidade: não há recursos garantidos. O gesto político é válido, mas carrega forte risco de cair na categoria das promessas inviáveis, aquelas que soam bem nos microfones da Câmara, mas que dificilmente se transformam em concreto e aço.
Se a discussão não vier acompanhada de um plano realista de financiamento, seja por parcerias público-privadas, convênios diretos ou mobilização da bancada federal, (Mário Júnior e deputados que tiveram muitos votos em Paulo Afonso) a proposta pode se tornar apenas mais um discurso desconectado da realidade fiscal do país.
Em resumo, a segunda ponte de Paulo Afonso é necessária, mas sua viabilidade não depende apenas da boa vontade política local. Depende, sobretudo, da capacidade de enfrentar os desafios econômicos nacionais e de encontrar caminhos que vão além do papel timbrado dos requerimentos.