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Paulo Afonso-BA, 6 de março de 2026

Paulo Afonso é muito bonita, mas tem um esvaziamento enorme de vida, diz especialista em suicidologia, que viveu tragédia na família

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PAULO AFONSO– “Foi um evento memorável para a cidade com várias frentes de trabalho e instituições”, me diz ao telefone, a psicóloga Jalane Maia, autoridade em prevenção ao suicídio e saúde mental, sobre sua impressão da audiência pública, de autoria da vereadora Evinha (Solidariedade), que discutiu sofrimentos psíquicos resumidos no tema: “Setembro amarelo, valorização da vida.”

Psicólga Jalane em palestras e entrevistas sobre prevenção ao suicídio. Fotos: arquivo.

De saída, Jalane repudia que se discuta de forma panfletária em um único mês um tema que atravessa a nossa vida e, no caso de Paulo Afonso, escalonou de forma assombrosa, a ponto, infelizmente, de tragar o próprio Parlamento – morte trágica, após cometer homicídio do vereador Bero do Jardim Aeroporto.

O assunto ainda paira como tabu que aos poucos, graças a iniciativas como estas, vão rompendo silêncisos dolorosos. A começar pela história de Jalane, que vítima enlutada do pai.

“As mortes por suicídio não acontecem só em setembro, por isso quando conversei com Evinha, falei para ela que nós precisamos descentralizar essa discussão do mês de setembro porque virou uma questão mercadológica e marqueteira da campanha”, argumenta Jalane, acrescentando o marco legal para o assunto, a lei sancionada pelo presidente Lula: 15.199/2025 que define a realização da campanha Setembro Amarelo, anualmente, no mês de setembro, em todo o país.

Segundo a lei, são duas datas em setembro que devem intensificar ações governamentais: no dia 10 de setembro será o dia nacional de prevenção ao suicídio e, no dia 17, de prevenção a autolesão.

Levantamento do Ministério da Saúde, em 2023 apresentou ao país um número alarmante: 16,8 mil óbitos por suicídio.

Tema foi discutido em audiência pública promovida pela Câmara Municipal por meio da vereadora Evinha.

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Eu estava dizendo que Jalane viveu uma tragédia em família: “Não falo apenas de um lugar, porque sou especialista em suicidologia, fiz mestrado nessa área também, e eu perdi o meu pai para o suicídio há 15 anos. Eu sou sobrevivente enlutada, meu pai morreu por suicídio na Ponte Metálica dom Pedro. Ele assassinou os meus dois irmãos e a minha madrasta. Foi uma grande tragédia ocorrida na nossa cidade, que é muito bonita, mas tem um esvaziamento muito grande de vida.”

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Fenômeno complexo

Antes de avançar, gostaria de registrar uma fala do vereador Jailson (Progressistas) sobre a importância da fé, da qual não discordo, mas convém alertar: os dados comprovam que o sofrimento é muito profundo mesmo para aqueles que creem.

Jalane destacou ainda a participação de diversos órgãos públicos representados na audiência e pediu que se pense no tema porque há “determinantes sociais importantes para que pessoas tirem as suas vidas. Então, temos vidas que são mais morríveis, tem vidas que são suicidadas porque a sociedade provoca isso, a sociedade capitalista e neoliberal.”

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