PAULO AFONSO– Os alertas de esgotamento da população com a gestão do prefeito Galinho (PSD), iniciada há oito meses estão por toda parte: na rua, nas esquinas, nas feiras, no comércio em geral, no empresariado, entre autônomos convidados a saírem do local de onde tiram a subsistência, e, finalmente, até entre as pessoas de confiança chamadas para o governo.
É inacreditável como o governo não conseguiu segurar os nomes nos quais todos apostavam poder contribuir com a cidade, caso de William Campos, e, uma vez que essas pessoas vão embora, achar um substituto à altura tem sido tarefara impossível.
Não é qualquer um que vai se colocar em situação de vulnerabilidade diante de um governo radicalizado, avesso à críticas e centralizador. É tangível o descontentamento inclusive na base de apoio ao prefeito. “A gente não entende como diante de tantas prioridades, a gestão abusa de atritos desnecessários em todos os setores”, comentou ao Painel, um funcionário da prefeitura, na condição de anonimato.
Para outra funcionária locada na pasta da Saúde, o relógio é inimigo: “Logo vou pedir para sair.”

A saída de Clebson Moreno da Comunicação, com carta de despedida em tom de revolta e sinais de fogo amigo – inclusive da mídia ninja-, explicitaram o ambiente deflagrado no entorno do prefeito.
Há um contingente enorme, a maioria absoluta da população convencida, e isto, observe-se, de forma inédita em Paulo Afonso, de que o governo gasta mais com festas, do que com a saúde, cuja demanda é antiga e premente.
Por que inédita?, vamos ao ponto: ao contrário do que acometia o antecessor, Marcondes Francisco (Progressistas), fustigado pelo processo político do grupo que almejava o poder, e, daí lhe punha nas cordas com denúncias de toda natureza, quem apedreja Galinho é o povo.
Não se trata de uma cobrança partidária ou ideológica. A população cobra porque não vê sentido na maior parte das atitudes quer administrativas quer políticas, tomadas por esse Galinho ungido pelas urnas.

O vice-prefeito no exílio – TODOS, absolutamente todos se perguntam o que faz o vice-prefeito, Pedro Macário (PSDB), refugiado na Câmara Municipal, enquanto poderia contribuir com a gestão de Galinho?
“Ele fica aqui com esse olhar de julgamento”, confessou ao Painel, um vereador, sob sigilo, deixando evidente que detesta a presença de Macário na Câmara.
A base do governo ruindo – como consequência desse mau humor generalizando e das cobranças duras dos cidadãos aos vereadores, e, principalmente, da falta de resolução das queixas por parte do governo, a base dá sinais claros de que vai rachar. O discurso de má gestão e, até de incapacidade do gestor, diga-se de passagem, já foi incorporado pelo líder do governo, Jean Roubert (PSD).
“Atiraste uma pedra, no peito de quem, só te fez tanto bem”, diria Noel Rosa. Perder Jean é o começo do fim.
Por motivos bem simples: Jean não sai com os Otto ainda na sala. Pode ter certeza de que, se ele for embora, não vai sozinho. Mas lembrando ainda um clássico da MPB: “Eu levo a carteira de identidade, e uma leve impressão, de que já vou tarde…”.

Tudo isso bem traduzido no espaço onde antes Galinho reinava: as redes sociais.
Nenhum prefeito foi, em pouquissimo tempo, tão defenestrado nas redes sociais como Mário Galinho, ambiente onde, como se sabe, ele dominou a vida inteira, e hoje lhe é carrasco.
Memes, novelinhas, senhoras donas de casa, páginas que surgem do nada, adversários empoderados com vídeos mostrando o antes e o depois; promessas descumpridas; mais do mesmo – quando o então candidato falava em reconstrução; vídeos e mais vídeos corroendo o governo com denúncias e cobranças e, por fim, a mídia regional.
O escândalo dado pela mídia baiana a um contrato de intenção de compra de água mineral, no valor de mais de 1 milhão de reais, também cumpre dizer, foi inédito. Nunca se falou tanto e tão mal de um prefeito na mídia regional.
Concluo: a agenda política de Galinho está dissociada do interesse e da necessidade geral do cidadão pauloafonsino. A única saída possível para que ele termine com decência esse governo, é voltar para as ruas, dialogar com a população e ceder em tantos desvarios.
Não é impossível consertar a rota, resta saber a disposição.
Fotos: Luan, divulgação e redes sociais.