PAULO AFONSO- É inacreditável os dias que seguem. Se for verdade o que foi hoje na rádio Angiquinho, de que a vereadora Evinha (Solidariedade) poderia dar seu mandato ao secretário Messon (Turismo) numa troca que, traria “paz” à gestão, é preciso ao menos uma indagação: para onde foi então aquela conversa de “mulher na política”, tão entoada pela vereadora?
Durante séculos a mulher foi silenciada, e continua sendo. Diga-se: ainda que nesse momento, Evinha fique muda diante das barbaridades administrativas que todos presenciamos, como os contratos de 1 milhão para compra de água mineral – que a Bahia toda está abismada-, ela foi eleita segurando uma bandeira. Segurou sim!
Basta recorrer aos arquivos. É assombroso como a imprensa naturaliza essas coisas. A mim pouco importa se Evinha é governista. Ela tem direito de escolher como quer viver seu mandato. E depois, caso ainda queira a vida pública por meio do voto, deve procurar se explicar com o seu eleitor, e no caso dela, eleitora sobretudo.
Para a imprensa (digo essa) Evinha assumiria o Turismo que não saiu do lugar, do limbo, para satisfazer uma situação política e de gestão que envolvem Messon e o prefeito.
Na última segunda, eu indaguei a vereadora sobre a questão. Ela negou. Ela vem negando e afirmou: “Se me colocam nesse lugar é porque me consideram competente, mas isso nunca foi conversado.”
Achei a fala dela muito ruim. E retorqui:
-Achei que seu mandato valesse alguma coisa.
Algum incauto pode argumentar: ah, mas ela vai assumir uma secretaria na prefeitura…
Grande coisa! Alguém se atreve a perguntar a quem já foi de arrasta, o que significa uma pasta no governo de Galinho?
Vamos ao ponto: a questão central não é essa. Mas o fato de que um mandato para uma mulher, duramente conquistado, é tratado como coisa qualquer, num balcão de negócios à disposição dos homens.
Lembrando que isto é especulação da imprensa que, resta provado, não vê qualquer problema numa mulher que consegue romper tantas barreiras, ceder sua representação para que um homem se “sinta bem”, já que o secretário não estaria satisfeito.
O governo, por seu turno, não se manifestou sobre essa questão.