PAULO AFONSO– Entre todas as demissões que ainda vão ocorrer na gestão de Mário Galinho (PSD), a do ex-chefe da Ascom, Moreno, é, de longe, a mais injusta.
Em primeiro lugar, porque Clebson até poderia ser o chefe da Ascom, mas ele não teria como ser também o jornalista e as demais coisas necessárias para este cargo. Clebson é publicitário.
O problema sempre esteve ligado à falta de uma equipe a altura do desafio que é gerir uma pasta como esta. No governo anterior, nas mãos de Veruska Alcântara, que tinha mais de 20 anos de prefeitura e comandava com maestria a Ascom.
Ela também sofreu nas mãos dos incompreensíveis e dos idiotas. Para começar a conversa, nenhum jornalista – ou coisa que o valha – fará mágica.
O prefeito Galo vem da internet, onde estava acostumado a fazer panfletagem. Isto não tem rigorosamente nada a ver com comunicação institucional, coisa que carece de duas fórmulas fundamentais: experiência e autonomia.
Galinho até pode conseguir um profissional que tenha uma das coisas, nunca, porém, terá as duas. Há um vício de origem nesta gestão: é um governo centralizador e neurótico.
Mal comparando, Veruska não produzia o conteúdo sem a anuência do chefe, mas tinha autonomia para determinar o que deveria ser dito e como fazer. Havia confiança nela; e neste governo, há confiança em algum secretário?
Concluo: Moreno e demais demitidos foram vítimas de um organismo (e não de um governo) que digere mal tudo o que não for bajulação, sabujice e subserviência cega.