PAULO AFONSO- São dois pra lá, dois pra cá. E, diferente do bolero de Aldir Blanc, imortalizado por Elis Regina, não há, nunca, no PT local, aquele momento, “das mãos no pescoço e das costas macias”, é sempre uma puxada segura no tapete um do outro.
Exceção evidente quando está em jogo a eleição federal, como agora, onde aparece uma rara unidade. Quando Éden Valadares, pela manhã, em reunião com o diretório, atirou a Federação no mármore do inferno, foi inescapável: no caso do PT local não há necessidade de inimigos.
Marconi Daniel candidato do partido, lutou contra setores da legenda que apoiaram Galinho (PSD), candidato que andava abraçado a ACM Neto (União), literalmente, passo a passo.
Diga-se de passagem que, e, nesse caso, sejamos francos, para certa militância o pêndulo do poder é o que determina a cor da camisa.
Durante o encontro, foi cobrado a ausência de representantes do partido de tamanha importância, na Câmara Municipal, em que pese o excelente resultado dos candidatos Nino Rangel e Esmeralda Patriota.
Há um passado recente que impõe limites ao PT. Não importa o movimento feito pelo ex-prefeito Anilton Bastos que, terminou àquela altura, como o maior movimento de cooptação ideológica já vista. Ficou a impressão, com a prática reiterada, de que o amor pela camisa ou pela causa, não resiste a um cargo.
Dito isso, é forçoso concluir que, em consequência dessa sofreguidão pelo cargo, não importando se vem de um adversário histórico, a população não consegue separar, dentro da militância quem de fato defende os fundamentos da legenda, de quem está no partido a fim de uma oportunidade.
Essa realidade, crassamente falando, está na raiz do litígio perpétuo.