PAULO AFONSO– O desempenho opróbrio do presidente da Câmara, Zé de Abel (PSD), eleito para a Mesa Diretora por Macário (PSDB), e reconduzido agora, dizem as más línguas, pelo prefeito eleito Mário Galinho (PSD), esconde o verdadeiro motivo desta iminente unanimidade. Ao que tudo indica, Zé terá a totalidade dos votos.
A rigor, Zé preside o Legislativo sem saber juntar lé com cré. Em toda sessão é um Deus nos acuda para que ele entenda o que se passa no momento em que ocupa a cadeira do meio. A unanimidade se dá por um cálculo bem simples. Qualquer criança entende:
Se a prefeitura gerida por Marcondes (Progressistas), massacrado nas urnas, conseguiu eleger dez vereadores, um governo que consiga ao menos recolher o lixo das ruas se transformará numa máquina eleitoral. Nenhum político tem força para enfrentar a máquina, especialmente quando esta tem amplo apoio popular. É o caso do governo eleito.
A presidência, nessas circunstâncias, não se dá, pois, por questão de gosto ou cargos, privilégios; com tantos votos, aliás, com todos os votos, os vereadores tentam equilibrar o mandato baseados no toma lá da cá.
Acrescentar 5 mil reais à receita é pouco, é preciso garantir vagas para lideranças no loteamento governista. Em vez de ‘reconstrução’ – palavra usada para ludibriar o eleitor- a unanimidade de Zé de Abel cai bem no bom e velho clientelismo que sempre ungiu a relação entre Câmara e prefeitura.