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Paulo Afonso-BA, 11 de março de 2026

PC vai à escola da área rural de PA e fala aos meninos “Ninguém quer separar os pais, às vezes é preciso”

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 PAULO AFONSO – Infelizmente neste domingo 08, Dia Internacional da Mulher, a Polícia Civil registrou várias ocorrências de violência contra a mulher. Ameaça, Injúria e lesões fizeram parte do plantão da delegada Juliana Fontes na Delegacia Territorial.

Durante a semana que precedeu a data, uma vítima acompanhada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, perdeu a visão após sofrer agressão do ex-companheiro.

Policia Civil palestra para adolescentes em escola da área rural de Paulo Afonso.

“O ex-companheiro sacou de uma garrafa e jogou contra seu rosto. Ele está vivendo com uma menina de treze anos. Não conseguimos achar o acusado para fazermos a prisão em flagrante”, disse Juliana sobre o caso atroz.

Paulo Afonso registrou ano passado dois feminicídios e, no mês passado, o 1º de 2020. Para um município que até então vinha há anos conseguindo conter esse tipo de crime foi um sinal de alerta.

“É preciso compreender que o feminicídio vem numa esteira de agressões. Não é consumado de repente; por isso é importante que a vítima de violência doméstica e familiar nos procure [a Deam] na primeira tentativa”, explica a delegada.

Traduzir um assunto tão problemático para adolescentes não é uma tarefa simples. O mais espantoso de tudo é que eles já o sabem. Querem na verdade, tirar dúvidas.

Diretora Ivonete e vice-diretora agradecem a Juliana pela palestra sobre violência doméstica.

A Policia Civil participou de uma palestra na escola Castro Alves, povoado São José, área rural de Paulo Afonso

A vice-diretora da escola Castro Alves, Nadia Garcia e o corpo docente, recepcionaram a delega Juliana e dois agentes da Polícia Civil na última sexta-feira 06, para que ela pudesse falar do tema.

Juliana ficou surpresa com a quantidade de estudantes [eram turmas a parir do 6º ano] especialmente com olhar curioso das meninas, que não perdiam gestos ou palavras vindas dela.

Meninas que no passado, sequer podiam frenquentar a sala de aula. E passados os séculos, mesmo na sala de aula, com o mesmo esforço, vão ocupar o mercado de trabalho e ganhar menos. Meninas que, junto aos meninos, se desesperam quando a mãe é uma vítima.

Professor Claúdio, de história também tira dúvidas.

“A nossa intenção não é separar a mãe e o pai de vocês. Mas às vezes é preciso. Se a mãe sofre injurias, se apanha, a gente precisa agir. Porque quando uma mãe sofre violência todos vocês sofrem junto”, contou mostrando alguns desenhos.

Juliana falou de comportamento abusivo; explicou o que era uma medida protetiva – que mantém o agressor afastado da vítima por meio de ordem judicial-, e respondeu aos questionamentos de uma garota.

Ficou evidente que é preciso criar uma linguagem mais acessível ao entendimento dos pequenos para tratar temas como o empoderamento feminino e a violência doméstica. Longe, lamentavelmente, de ser novidade para eles.

Delegada e agentes da PC.

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