PAULO AFONSO – Infelizmente neste domingo 08, Dia Internacional da Mulher, a Polícia Civil registrou várias ocorrências de violência contra a mulher. Ameaça, Injúria e lesões fizeram parte do plantão da delegada Juliana Fontes na Delegacia Territorial.
Durante a semana que precedeu a data, uma vítima acompanhada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, perdeu a visão após sofrer agressão do ex-companheiro.

“O ex-companheiro sacou de uma garrafa e jogou contra seu rosto. Ele está vivendo com uma menina de treze anos. Não conseguimos achar o acusado para fazermos a prisão em flagrante”, disse Juliana sobre o caso atroz.
Paulo Afonso registrou ano passado dois feminicídios e, no mês passado, o 1º de 2020. Para um município que até então vinha há anos conseguindo conter esse tipo de crime foi um sinal de alerta.
“É preciso compreender que o feminicídio vem numa esteira de agressões. Não é consumado de repente; por isso é importante que a vítima de violência doméstica e familiar nos procure [a Deam] na primeira tentativa”, explica a delegada.
Traduzir um assunto tão problemático para adolescentes não é uma tarefa simples. O mais espantoso de tudo é que eles já o sabem. Querem na verdade, tirar dúvidas.

A Policia Civil participou de uma palestra na escola Castro Alves, povoado São José, área rural de Paulo Afonso
A vice-diretora da escola Castro Alves, Nadia Garcia e o corpo docente, recepcionaram a delega Juliana e dois agentes da Polícia Civil na última sexta-feira 06, para que ela pudesse falar do tema.
Juliana ficou surpresa com a quantidade de estudantes [eram turmas a parir do 6º ano] especialmente com olhar curioso das meninas, que não perdiam gestos ou palavras vindas dela.
Meninas que no passado, sequer podiam frenquentar a sala de aula. E passados os séculos, mesmo na sala de aula, com o mesmo esforço, vão ocupar o mercado de trabalho e ganhar menos. Meninas que, junto aos meninos, se desesperam quando a mãe é uma vítima.

“A nossa intenção não é separar a mãe e o pai de vocês. Mas às vezes é preciso. Se a mãe sofre injurias, se apanha, a gente precisa agir. Porque quando uma mãe sofre violência todos vocês sofrem junto”, contou mostrando alguns desenhos.
Juliana falou de comportamento abusivo; explicou o que era uma medida protetiva – que mantém o agressor afastado da vítima por meio de ordem judicial-, e respondeu aos questionamentos de uma garota.
Ficou evidente que é preciso criar uma linguagem mais acessível ao entendimento dos pequenos para tratar temas como o empoderamento feminino e a violência doméstica. Longe, lamentavelmente, de ser novidade para eles.

