PAULO AFONSO – Seria mentiroso se eu afirmasse que o vereador Mário Galinho (SD) foi ruim durante todo o tempo que falou na tribuna, ultrapassando inclusive o tempo determiando – mais que os outros-, na sessão de hoje 09.
Mário ia bem até os 48 do segundo tempo quando, do nada, se ungiu de plenos poderes e afirmou para deleite dos seus seguidores que, “Se a rádio do prefeito [RBN] a partir de hoje, através de qualquer um de seus radialistas entrar no ar para falar mal do povo de Paulo Afonso, quem vai entrar lá dentro sou eu, vou com a polícia e com a promotoria, porque já passou do nível do absurso!, e essa Casa como representante do povo não pode permituir isso”, discussou.
E emendou que, não tendo o apoio dos órgãos citados, “Ele mesmo saberia como resolver.”
Então vamos entender a música completa.
A presidente da Ong Unidos Somos Mais situada no bairro Siriema, Jéssica, falou por dez minutos precedendo Mário.

A mulher se mostrou indignada, ultrajada e triste, segundo ela, com o comportamento do assessor de imprensa da prefeitura, Fábio Salvador [ela o nomeou], por ele ter chamado “o povo do Siriema”, de “Sensasionalista” e “aberração”.
“Eu fiquei muito chocada com o que eu escutei na Rádio Bahia Nordeste, quando o locutor falou que a Ong é aberração, nós não somos aberrações, somos pobres e temos direito a ter moradia.”
Jéssica ainda falou do salário de Fábio, em torno de 5 mil reais pagos com o dinheiro do contribuinte.
Então percebe-se que há aí um erro crasso, de fato. Porque um meio de comunicação jamais deve se voltar contra à população, especialmente na situação em tela, com as pessoas perdendo bens e tendo toda sorte de prejuízo ocasioados pelas chuvas.
Mas daí, é preciso ter a coragem de dizer, nada justifica a invasão da emissora, como se ali tivesse uma horda de crimisosos contra o povo. É óbvio que o diretor de jornalismo, Jota Matos, tem pecado muito em não separar o que é a opinião da rádio, da posição que toma a assessoria do prefeito.
Mas a fala de Mário é injusta com profissionais como Gil Leal, Marcelo França e Wallace Lima, que sempre estão se colocando à disposição da comunidade para ajudar nos momentos de crise. Quando se fala em invadir à rádio, é evidente que não se separa o joio do trigo.
Aqui também cabe outro questionamento: Se Mário Galinho, como vereador, fala em invadir uma rádio porque “está falando mal do povo”, o que faria se fosse prefeito e a mesma [ pode ser outra também] falasse mal de uma gestão sua?
Calminha aí companheiro. Não é assim não.
A rádio, repito, por péssima escolha que faça, está dentro do que permite à democracia. O direito de opinião, ainda que seja para falar mal do povo, lhe convém.